A menos de dois meses para o primeiro turno, a eleição presidencial de 2026 está mais imprevisível do que final de reality show. E o próximo capítulo dessa novela vai ao ar nesta quarta-feira (5), quando a Quaest divulga sua nova pesquisa de intenção de voto. O clima é de expectativa máxima, principalmente depois que o último levantamento do BTG/Nexus, divulgado nesta semana, mostrou um cenário de tirar o fôlego: Flávio Bolsonaro (PL) encostou em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e reduziu a diferença no primeiro turno para apenas 4 pontos percentuais.

O tombo de Lula e o salto de Flávio

Segundo o BTG/Nexus, Lula aparece com 37% das intenções de voto, enquanto Flávio marca 33%. É a menor vantagem do petista desde o início da campanha. Há um mês, a diferença era de 10 pontos. A virada, ainda que não consolidada, já acendeu todos os alertas no QG lulista e deixou os bolsonaristas em polvorosa.

Flávio, que vinha patinando nas pesquisas, parece ter encontrado o impulso que faltava. E a grande novidade no tabuleiro tem nome e sobrenome: Javier Milei. O presidente argentino, ícone da direita radical, declarou apoio explícito ao candidato do PL na semana passada, durante um evento em Buenos Aires. A cena, transmitida ao vivo, viralizou nas redes e deu a Flávio uma chancela internacional que seus estrategistas tanto buscavam.

A sombra de Lulinha

Enquanto Flávio surfava na onda Milei, Lula enfrenta um desgaste familiar que não para de crescer. As investigações contra seu filho caçula, Luís Cláudio Lula da Silva, o Lulinha, voltaram a ganhar os holofotes. A Polícia Federal apura supostas irregularidades em contratos de consultoria, e a oposição não perde uma chance de martelar o tema. Para piorar, a campanha petista tenta blindar o presidente, mas o assunto já entrou na pauta dos eleitores — e os números mostram o estrago.

Com Milei de um lado e Lulinha do outro, a eleição de 2026 virou uma superprodução com escândalos, alianças internacionais e reviravoltas que nem o mais roteirizado reality show conseguiria prever.

O que esperar da Quaest

A pesquisa Quaest que sai amanhã é a primeira grande sondagem depois desses dois terremotos. O mercado político aposta que ela pode confirmar o empate técnico entre Lula e Flávio, consolidando a tendência de crescimento do bolsonarista. Se isso acontecer, o pânico deve se instalar de vez no PT, que já discute ajustes drásticos na estratégia de comunicação.

Além disso, a Quaest trará recortes por região, renda e religião — fundamentais para entender se o apoio de Milei realmente furou a bolha evangélica e se o caso Lulinha afetou a imagem de Lula entre os mais pobres. Será que a fidelidade do Nordeste resiste a mais essa crise? E São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, continuará pêndulo?